Informação cultural sob o signo de África

Centro de Arte Africana Contemporânea.

In Artes Plásticas on Dezembro 5, 2008 at 11:40 am
Tríptico Ngola Bar de Kiluanji Kia Henda.

Nós por aqui gostamos que as ideias e a cultura ganhem pedra e cal.

Votos de que José António Fernandes Dias consiga conservar a independência da instituição e a sua abertura aos países não lusófonos.

A foto é apenas um tributo da CAL a um grande fotógrafo angolano.

Que grande notícia!

CAL

Africa.cont será anunciado oficialmente dia 9
Centro de arte africana contemporânea é aposta estratégica do Governo

29.11.2008 – 14h34 Alexandra Prado Coelho
Acontece exactamente um ano depois da cimeira UE-África, e não é por acaso. No próximo dia 9, o primeiro- -ministro José Sócrates irá anunciar a criação do África.cont, um centro de arte africana contemporânea em Lisboa. Um projecto considerado estratégico para, explicou ao PÚBLICO o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, “a consolidação de Lisboa como espaço euro-africano”. Ou, nas palavras de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), para “perpetuar esta realidade de Lisboa ser a ponte entre a Europa e África”.

O anúncio irá acontecer num jantar oferecido por Sócrates, e para o qual estão convidados os embaixadores dos países africanos em Portugal, vários empresários portugueses e africanos e o antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan (presença ainda não confirmada).

O projecto nasce também já com uma morada, revelou ao PÚBLICO José António Fernandes Dias, consultor da Fundação Gulbenkian, especialista em arte contemporânea africana e o homem convidado para conceber o novo centro.

O África.cont ficará instalado nas Tercenas do Marquês, edifício do século XVIII, actualmente bastante degradado, situado no “miolo” entre a Rua das Janelas Verdes e a Avenida de 24 de Julho, próximo do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, e terá entrada por ambos os lados.

Dado que o espaço, que inclui o Palacete Pombal e três antigos armazéns, precisa de obras, a proposta de Fernandes Dias foi que se convidasse um arquitecto africano. A escolha está feita e David Adjaye (nascido na Tanzânia mas a viver em Londres) tem já pronto o anteprojecto (financiado pela Fundação Gulbenkian), que será apresentado no jantar de dia 9.

“Ele já cá veio ver o espaço, e ficou muito excitado com o projecto”, conta Fernandes Dias, sublinhando que Adjaye conhece bem Portugal, tendo estagiado no Porto com o arquitecto Eduardo Souto de Moura.

Para além da lusofonia

Comecemos então a história pelo princípio. Há um ano, quando Lisboa recebia os líderes africanos e declarava a intenção de ser a tal ponte entre a Europa e África, António Costa contactou Fernandes Dias e apresentou-lhe, pela primeira vez, a ideia que partira, inicialmente, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado: a criação de um museu de arte africana contemporânea.

“Disse-lhe que tinha duas objecções”, conta Fernandes Dias. “Um museu parece-me uma instituição demasiado fechada, com grandes encargos de conservação. Além disso, íamos mostrar o quê? Não tínhamos colecção. Por outro lado, sugeri que não se restringisse às artes visuais. Fazia mais sentido ter um centro cultural, multidisciplinar, com uma lógica de projectos que se vão desenvolvendo.”

Costa concordou e nasceu o África.cont (“cont” de continente, mas também de contemporâneo). Fernandes Dias sublinha mais dois pontos. Primeiro: “Este não é um projecto da lusofonia. A ideia é precisamente ir para além da lusofonia”. Segundo: “Pedi autonomia de programação – e isso foi-me garantido”. Ou seja, não haverá, por exemplo, uma exposição com artistas de um determinado país só porque acontece nessa altura a visita oficial a Portugal de um dirigente desse país.

Programação para 2009

Estando esses pontos assentes, o coordenador do projecto avançou para o planeamento da programação. Prevê-se que as obras nas Tercenas do Marquês estejam concluídas em 2011, e que o centro se instale aí definitivamente no início de 2012. Mas a programação arranca já, em espaços provisórios, a partir do próximo ano.

Ao longo de quatro fins-de-semana, em Março, Abril e Maio, haverá no São Jorge um ciclo de novo cinema africano, comissariado por Manthia Diawara, professor de Estudos Africanos na Universidade de Nova Iorque e autor do documentário que acompanhou o projecto da artista Ângela Ferreira para o pavilhão português na Bienal de Veneza 2007. Serão apresentadas quatro dezenas de filmes, haverá debates, e Fernandes Dias espera poder contar com a presença de muitos dos realizadores.

A segunda iniciativa é uma mesa–redonda com intelectuais e agentes culturais africanos para discutir “o modelo da instituição [o África.cont] do ponto de vista africano”. Haverá também uma exposição vinda da Casa África, de Las Palmas, com sete vídeos feitos por jovens realizadores africanos nas suas cidades.

E, por fim, haverá ainda uma exposição que reunirá a arte africana contemporânea que existe nas colecções portuguesas, numa colaboração com outras fundações – Gulbenkian, Serralves, Berardo, Culturgest e Ellipse.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351647

  1. E se pensassem um pouco sobre o que custa e o que significa este gheto luxuoso a construir nas Janelas Verdes, sacrificando-se com uma obra de fachada e propaganda diplomática o que deviam ser acções no terreno (a África) e a intermediação delas com o exterior e com as comuniudade imiograntes em Portugal. http://alexandrepomar.typepad.com

  2. E se pensassem um pouco sobre o que custa e o que significa este gheto luxuoso a construir nas Janelas Verdes, sacrificando-se com uma obra de fachada e propaganda diplomática o que deviam ser acções culturais no terreno (a África) e a intermediação delas com o exterior e com as comunidades imigrantes em Portugal. http://alexandrepomar.typepad.com

  3. Para que se perceba que “A África” não existe – existem pessoas que habitam um terra continental imensa, com riquezas e pobrezas, pessoas que vivem e morrem e, no intermeio, crescem, criam e desenvolvem, por vezes em condições inimagináveis. A nossa relação com eles não pode ser só de pena: temos de começar a admirá-los. Temos de começar a merecer ajudá-los.

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