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Biografia Miriam Makeba

In África do Sul, Música, Miriam Makeba on Novembro 12, 2008 at 10:19 am

Artigo original da BBC.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/7719318.stm

Durante a sua vida Miriam Makeba, que morreu aos 76 anos de idade, chegou ao pico do sucesso internacional e caiu em baixios trágicos muitas vezes.

“Num momento estou a jantar com presidentes e emperadores; no seguinte estou a pedir boleia”, disse a um entrevistador em 2000.

A cantora de clubes de Joanesburgo tornou-se numa voz da luta anti-apartheid na África do Sul.

Apesar de ter dito muitas vezes que as suas canções não eram políticas~, pagou um preço elevado pelo seu activismo.

O governo Sul-Africano cancelou o seu passaporte, enviando-a para um exílio de 31 anos.

Depois da sua ligação com Stokely Carmichael em 1968, um líder dos radicais Panteras Negras (Black Panthers), as editoras de discos Americanas abandonaram-na e a sua agenda de concertos cancelada.

“Eu apenas disse ao mundo a verdade, e se a verdade se converte em política eu não posso fazer nada ácerca disso,”, disse ela ao sítio cultural Salon.com em 2000.

Peguei no meu passaporte. Tinha sido carimbado ‘Inválido’. Fizeram-no, disse a mim mesma. Exilaram-me.

Miriam Makeba

A sua carreira foi também frustrada por uma gestão financeira pobre, o que significou que ela teve que continuar a actuar independentemente do que estava a acontecer na sua vida.

Ela dizia que ao podia cancelar concertos – em 1998 ela ão compareceu ao funeral do Sr. Carmichael na Guiné por causa dos seus compromissos musicais.

Sucesso

Nasceu em 1932 em Joanesburgo filha de um sangoma ou curandeiro tradicional.

O seu pai morreu quando ela tinha seis anos.

Nos anos 50 cantou com bandas de jazz de townships (bairros na África do Sul para não europeus) mas não ganhou grande dinheiro a tocar em clubes e bares.

MIRIAM MAKEBA
1932: Nascida em Joanesburgo, África do Sul
1959: Estrela da ópera jazz King Kong e do filme anti-apartheidCome Back, Africa, conhece Harry Belafonte
1962: Actua na festa de aniversário do Presidente Kennedy
1960: Impedida de regressar à África do Sul
1963: Testemunha contra o apartheid nas Nações Unidas
1966: Torna-se a primeira mulher Africana a ganhar um prémio Grammy
1968: Casa com o Black Panther Stokely Carmichael e muda-se para a Guiné
1974: Actua no aquecimento do combate de boxe Rumble in the Jungle entre Mohammed Ali e George Foreman
1985: Muda-se para Bruxelas depois da morte da sua filha
1990: Regressa à África do Sul depois de um pedido pessoal de Nelson Mandela
2005: Inicia uma “digressão de despedida” á volta do mundo que dura três anos
2008: Morre em Caserta, Italy depois de um concerto, com 76 anos

Apesar de ser uma artista que gravava discos com sucesso, nunca recebeu royalties dos seus discos.

No início da sua carreira, ela e a sua banda estiveram envolvidos num acidente de automóvel e a polícia apenas socorreu as vítimas brancas do outro automóvelm deixando-a a ela e aos seus colegas de banda na estrada, dos quais três morreram.

O único dinheiro vinha das digressões em África, actuando em clubes de jazz da Rodésia (Zimbabué) ao Congo Belga (República Democrática do Congo).

Só em 1959 é que o mundo reparou nela.

Ela interpretou um papel principal num musical negro ácerca da lenda Sul-Africana do boxe Ezekiel “King Kong” Dlamini.

“Foi a única vez que a minha mãe me viu em palco,” disse ao amigo e jornalista Gamal Nkrumah em 2001.

“A certa altura da peça eu sou estrangulada e a minha mãe salta do seu lugar e grita: ‘Não. Não te vais safar com um assassínio. Não podes fazer isto à minha filha.’ Amigos explicaram-lhe que aquilo não era real – que estávamos a representar. Mas ela fez um escândalo. Toda a gente estava embaraçada. No palco fiquei com o coração nas mãos.”

No eleco estava também o trompetista Hugh Masakela, que se tornaria o seu terceiro marido anos depois quando estavam ambos no exílio nos EUA.

O seu primeiro marido foi um polícia Sul Africano, de quem ela se divorciou por causa da sua violência. Também casou com outro músico, Sonny Pillay, durante a sua estadia em Inglaterra.

No mesmo ano ela protagonizou o drama-documentário anti-apartheid Come back, Africa, ácerca das vidas dos trabalhadores migrantes que viviam nas townships de Joanesburgo.

Foi filmado na área de Sophiatown, bairro de Joanesburgo, parcialmente com câmeras escondidas e parcialmente sob o pretexto de ser um filme sobre música de rua.

O filme foi levado secretamente da África do Sul e mostrado no festival de cinema de Veneza, e ela teve autorização para ir assistir à estreia.

De Veneza viajou com o Sr Masakela para Londres.

Foi aí, enquanto cantava no programa de rádio da BBC ‘In Town Tonight’ (Na cidade esta noite) que Miriam Makeba encontrou Harry Belafonte, que lhe abriria a estrada do estrelato mundial.

Os anos dos EUA

Tornou-se um êxito maciço nos EUA. As pessoas enchiam os seus concertos e ela actuava rodeada de estrelas.

A sua combinação de ritmos Africanos e jazz em canções como Pata Pata atraíam quer as audiências mais convencionais quer as pessoas mais sofisticadas do jazz.

Em 1962 actuou na lendária festa de aniversário do Presidente dos EUA John F. Kennedy, onde Marilyn Monroe cantou Happy Birthday.

Deves tentar ser não um tornado – mas sim um submarino

Harry Belafonte

Mas o governo Sul Africano tinha ripostado pelo seu papel em Come Back, Africa.

Em 1960 descobriu que não a deixavam ir a casa assistir ao funeral da sua mãe.

“O homem na secretária pegou no meu passaporte. Não me disse nada. Tomou o carimbo e bateu com ele. Depois foi-se embora. Eu peguei no passaporte. Estava carimbado “Inválido”. ‘Fizeram-no.’ disse a mim própria. ‘Puseram-me no exílio,” disse ela em 2001.

Ficou chocada com as tensões raciais que encontrou na América dos anos 60, e chamou-lhe “apartheid com outro nome”.

Mas Harry Belafonte aconselhou-a a assumir um papel menos confrontacional no movimento dos direitos civis.

“Ele foi um bom professor e tomou conta de mim,”, disse ao Guardian este ano.

“Ele disse: ‘Tens um talento tão grande, deves tentar ser, não um tornado – mas sim um submarino. Foi um bom conselho quando me encontrei a falar no Comité Contra o Apartheid das Nações Unidas e depois na Assembleia Geral das NU.”

Mas a sua relação com o revolucionário Stokely Carmichael acabou com a sua carreira nos EUA.

Outro Exílio

Foram para a Guiné onde o Presidente Sekou Touré lhe deu uma casa e lhe pagava um salário para que ela escrevesse e actuasse.

Também trabalhou como representante das Nações Unidas para a Guiné durante muitos anos, e por isso recebeu o prémio Dag Hammarskjold da paz em 1986.

Nessa altura, atormentada pela dor da morte da sua única filha Bongi, em 1985, deixou a Guiné e mudou-se para Bruxelas. A sua relação com o Sr. Carmichael tinha terminado em 1973.

Bongi morreu ao dar à luz um nado-morto mas a Sra Makeba tem dois outros netos, Nelson Lumumba Lee e Zenzi Monique Lee, e três bisnetos Lindelani, Ayanda e Kwame.

Em 1990 regressou à África do Sul pela primeira vez depois de Nelson Mandela lhe ter pedido para voltar.

Com o avançar da idade “Mama Africa”, como ela era conhecida, começou a sofrer de osteoartrite e falta de ar.

Começou uma “digressão de despedida” em 2005, antes de se retirar, mas alongou-se por mais três anos.

“Toda a gente continua a telefonar e a dizer: ‘Tu não te vieste despedir de nós,”, disse a um estrevistador em Maio.

Artigo original da BBC.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/7719318.stm

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