Informação cultural sob o signo de África

FMM – Bassekou Kouyaté – Ngonis electrizam Sines

In Concerto, mali, Música, Ngoni on Julho 18, 2008 at 9:07 am


Ontem à noite, dia 17, na Casa das Artes em Sines, um grande concerto protagonizado por Bassekou Kouyaté e seus pares.
Já passava das 22h30 quando começou o concerto. Bassekou Kouyaté em ngoni apresentou-se com a sua mulher, Amy Sacko, dona de uma senhora voz, mais três ngonis e duas percussões, uma cabaça grande e uma pequena coberta pelo que julgo serem búzios e que produz um ruído de chocalho. Um dos percussionistas tocava às vezes também um pequeno tambor que segurava na axila, percutindo-o com a mão e com uma peça em forma de V que produz um som mais reverberante.
Os ngonis vieram em formas e feitios diferentes. Dois grandes, um tendo uma sonoridade próxima de um contrabaixo eléctrico e outro mais seco. Os dois pequenos, um deles tocado por Bassekou Kouyaté e outro por um jovem, o de Kouyaté mais acústico e o outro com um som mais encorpado e mais metálico. Um dos prazeres é escutar os quatro ngonis cada um com a sua sonoridade e função diferente em função da melodia.
Em relação ao disco Segu Blue, o concerto é movimentado e eléctrico, e é possível ver desfilar a tradição que vai da música tribal, às canções de trabalho dos escravos, aos blues ou ao funk.
O humor dos passos dos 3 ngonis restantes do quarteto com as suas coreografias, a delicadeza e a leveza dos gestos de Amy e a expressividade da cabeça de Bassekou durante os solos, muitos que nos dedicou, trouxeram ao concerto uma gentileza e um calor que bem circulou numa sala repleta.
Devido ao seu som delicado e com pouco volume sonoro, a amplificação permite que num ambiente de concerto e com uma plateia alargada ele tenha o mesmo impacto que uma guitarra apesar das suas pequenas dimensões.
Para mim o ponto alto foi quando Bassekou Kouyaté ficou sozinho no palco a tocar uma versão do clássico Poyi. Pensei que naquele momento algo da alma de Banzoumana Sissoko, um dos lendários griots do Mali e tocador de ngoni, pairava na sala. Provavelmente não mas abençoaria concerteza o seu neto que traz esta tradição renovada do ngoni ao mundo inteiro e a cultura do império Bamana.

Caso tenham curiosidade de saber um pouco mais sobre o ngoni, e ver Bassekou Kouyaté ao vivo: http://africalisboa.googlepages.com/ngoni

(imagens de egeac.pt, Festas de Lisboa 2007)

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